Sabe... quando eu era criança, eu me perguntava muito o que era o amor. Qual o sentido disso tudo? Como sentir isso? Será que tem forma? Será que dói? Sempre ouvi que existem muitos tipos de amor: de mãe, de pai, de casal, até pelos animais. Mas eu cresci sem saber o que isso significava de verdade. Sem abraço, sem colo, sem um "eu te amo" que fosse sincero. E aí eu te pergunto... Como você espera que eu reconheça o amor, se ele nunca fez parte da minha vida? Como eu vou confiar em algo que nunca me ensinaram a sentir?
Era um dia chuvoso. Raios cortavam o céu e trovões ecoavam como gritos distantes. Eu caminhava sozinha pela rua, perdida em pensamentos e com o coração pesado, quando algo no chão chamou minha atenção: um papel simples, um tanto molhado pela chuva. Me abaixei e o peguei. A escrita era diferente, quase brilhante, como se fosse um convite divino. E ali, no meio da simplicidade, estava uma frase que atravessou minha alma: "Jesus te ama e espera por você."
Naquele instante, algo dentro de mim parou. "Jesus me ama? Mas por quê? O que eu fiz para merecer esse amor? Eu, com todos os meus erros, com meus pecados... Eu sou importante assim para Ele?" Segurei aquele papel por mais alguns segundos, tentando entender o que sentia: era conforto, era calor, era como um abraço invisível. Logo abaixo da frase, havia um endereço. Sem pensar muito, decidi ir até lá. Eu não sabia, mas estava prestes a viver o dia que mudaria tudo.
O endereço me levou a uma igreja simples. Nada luxuoso, sem grandes decorações. Apenas algumas pessoas reunidas: homens e mulheres bem vestidos, com rostos tranquilos. Pelo que entendi, acontecia um congresso. Fiquei parada na porta, insegura. Meu coração dizia para entrar, mas minha mente gritava medo de ser julgada. Até que vi uma menina, talvez com uns 16 anos, me olhando e sorrindo com tanta doçura que foi impossível não me sentir acolhida. Com um gesto sutil, ela me chamou para entrar. E eu entrei.
A cada louvor, a cada palavra pregada, parecia que Deus falava diretamente comigo. Cada frase era como uma resposta para algo que eu nunca tinha conseguido explicar. Era como se Ele me conhecesse por dentro e amasse cada parte minha, mesmo assim. No final do culto, o pregador fez uma pergunta simples, mas profunda: "Alguém aqui deseja entregar sua vida a Cristo?" Meus olhos já estavam tomados por lágrimas. Olhei novamente para a menina, que agora me observava com o mesmo sorriso calmo e esperançoso. Ela se aproximou e, com suavidade, perguntou: "Você quer?" Naquele momento, eu não hesitei. Caminhei até a frente, com o rosto molhado não mais pela chuva, mas pelas lágrimas de um coração tocado. Naquele dia, diante de um altar simples e de pessoas desconhecidas, eu encontrei o amor que ninguém nunca tinha conseguido me dar. O verdadeiro amor. O amor de Jesus