(Verso 1)
Nasci com o sol no rosto e o sonho na mão,
Quis crescer devagar, sem pressa, sem prisão.
Mas disseram: “agora é tua hora, vais casar”,
Como se o amor fosse um fardo pra carregar.
Levaram o meu caderno, vestiram-me o véu,
Roubaram-me o futuro, prometeram-me o céu.
Mas eu gritei no silêncio da minha dor,
Que o saber é luz, e a liberdade é amor.
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(Coro — 1ª vez)
🎶 Kutenga, ouve a minha voz,
Eu quero viver, não ser só uma voz.
Kutenga, levanta comigo,
Por todas as meninas que ainda estão no abrigo.
Kutenga, Kutenga, ensina a sonhar,
Antes do tempo, deixa-me voar.* 🎶
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(Verso 2)
Na aldeia dizem que é costume antigo,
Mas costume que dói não pode ser abrigo.
A menina não é moeda, nem troféu, nem dote,
É vida, é força, é sol que desponta no horizonte.
Quando a escola fecha, a infância morre,
E a esperança corre, mas o mundo não socorre.
Mas eu acredito, há um novo caminho,
Onde cada menina caminha sozinha, com destino.
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(Coro — 2ª vez)
🎶 Kutenga, ouve a minha voz,
Eu quero viver, não ser só uma voz.
Kutenga, levanta comigo,
Por todas as meninas que ainda estão no abrigo.
Kutenga, Kutenga, ensina a sonhar,
Antes do tempo, deixa-me voar.* 🎶
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(Ponte)
Educar é libertar, amar é proteger,
O futuro é delas, deixem-nas crescer.
Não há tradição que pese mais que o direito,
Nem cultura que justifique o preconceito.
Que as aldeias despertem, que as vozes se unam,
Que a mulher-menina nunca mais se puna.
Sou mentor da esperança, carrego a missão,
De fazer da arte, a nossa revolução.
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(Coro — 3ª vez / final)
🎶 Kutenga, ouve a minha voz,
Eu quero viver, não ser só uma voz.
Kutenga, levanta comigo,
Por todas as meninas que ainda estão no abrigo.
Kutenga, Kutenga, ensina a sonhar,
Antes do tempo, deixa-me voar.*