

Prompt / Lyrics
Não herdei esta tristeza nem veio no meu apelido, foi ficando em cada escuta, em cada copo partilhado e perdido. Aprendi a dor sentada, à mesa de quem partiu, ouvindo vozes cansadas que o tempo nunca curou nem mentiu. Não me chamem estrangeiro do que dói sem tradução, há silêncios que atravessam mais fundo do que a nação. Aprendi a cantar assim, sem sangue, sem juramento, foi o ouvido que me ensinou a medir o sofrimento. Se o fado não corre em mim, bate à porta do meu peito, não nasceu do meu passado mas ficou do jeito perfeito. O mar nunca pede nome pra ensinar alguém a ir, leva histórias de outros lados e ensina a quem quer sentir. Cantei dores que não vivi, mas reconheci no olhar, porque a saudade emprestada também sabe se instalar. Há quem nasça com destino, há quem o aprenda a guardar, eu segui vozes antigas até a voz me encontrar. Aprendi a cantar assim, na escuta, não na raiz, há verdades que escolhem quem as saiba dizer feliz. Se não trago essa herança no corpo ou na certidão, trago-a firme na garganta como última devoção. Não peço lugar à mesa nem desculpa por sentir, o fado não pede licença quando decide existir. Aprendi a cantar assim, com respeito e solidão, não é sangue que faz o fado é silêncio e atenção. Se a dor reconhece a voz quando começa a soar, então sou filho da escuta e disso não vou abdicar.
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traditional fado, 60–70 bpm, male voice. Portuguese guitar lead, minor key, intimate, respectful.
3:24
No
2/8/2026