[INTRO — guitarras graves em palm mute lento, bateria marcando passos como coração acelerado, clima tenso e solene]
Eu ouvi a voz
Quando a noite rachou
Antes do medo fechar meu peito
Antes do silêncio dizer quem eu sou
[INSTRUMENTAL — marcha entra firme, bateria dominante]
[VERSO 1 — voz contida, quase narrativa, rouca]
A fé não nasceu do que eu pude ver
Nasceu no “sim” que eu disse sem entender
Quarto fechado, chão frio sob mim
O coração batendo mais alto que o fim
O monte cresceu na minha frente
Pedra, sombra, peso presente
Medi a distância, senti o custo
Cada passo exigia mais pulso
A dúvida gritou pra eu soltar
Tentou me empurrar, me fazer voltar
Mas antes da queda me alcançar
Ouvi a voz que veio pra ficar
[PRÉ-REFRÃO 1 — tensão cresce, bateria segura o groove]
A fé não finge que o gigante caiu
Ela encara de frente
E lembra quem falou primeiro
E quem prometeu
Nunca desistiu
[REFRÃO — forte, gang vocals firmes e coletivos, peso médio]
Fé não é cena
Não é atuação
É convicção
Antes da pressão
Eu vejo o monte
Sinto ele pesar
Mas firmo os pés
No que Ele falar
A Palavra não pede espaço
Ela entra e toma lugar
Chega antes do medo
E define o final
[VERSO 2 — riff mais marcado, bateria pesada, voz mais intensa]
Já pedi sinais no céu fechado
Já quis mais provas pra não errar o lado
Andei devagar, com medo de ouvir
Se a voz que chamava ainda vinha de Ti
No fundo do vale, quando tudo sumiu
Quando a esperança quase desistiu
Lembrei da cruz num monte esquecido
E do túmulo aberto jamais explicado
E a fé voltou sem alarde
Sem grito, sem aviso, sem tarde
Como quem respira pra não cair
Silenciosa, mas pronta pra agir
[PRÉ-REFRÃO 2 — bateria assume total, marcha pesada]
Quando a lógica manda parar
E o medo tenta governar
Algo em mim se adianta
Se levanta
E não recua
Porque quem prometeu
Nunca muda
[REFRÃO FINAL — máximo peso, half-time, gang vocals com autoridade, estendido]
Fé não é cena
Não é blefe ou sinal
É fundamento
Antes do final
Eu vejo o monte
Ainda está lá
Mas eu permaneço
No que Ele falar
A Palavra não pede licença
Não discute o mal
Ela chega primeiro
E define o final
Define o final
[INSTRUMENTAL — groove marchado, guitarras sustentam tensão]
[PONTE — breakdown lento e pesado, voz declarativa, quase falada sobre palm mutes]
Eu já duvidei
Já quis desistir
Mas a fé não vive
Do que eu sinto aqui
Ela vive da cruz vazia
Do preço pago
Do sepulcro aberto
Do Véu rasgado
[OUTRO — instrumentos caem gradualmente, bateria marca passos lentos, voz baixa e reverente]
Não é o agora que manda em mim
Nem o medo que grita o fim
Não é o tempo quem dá razão
É a voz que governa a direção
Ela ecoa no túmulo vazio
Na cruz deixada pra trás
O final não é meu
Nunca foi
Nunca será
Eu não discuto o que Ele falou
Eu caminho no que Ele selou
Se a voz falou
Eu fico de pé
Porque quem começou
Já definiu como é
[ÚLTIMA BATIDA SECA — silêncio longo]
Ele define o final.