Olhas para o céu, mas não vês o chão que pisas...
Palavras de luz, mas as tuas mãos estão frias.
É fácil citar o livro... difícil é viver o capítulo.
[Verso 1]
Domingo de manhã, vês o teu reflexo no espelho
Ajustas o colarinho, segues o dogma, o conselho
Entras no templo, cabeça erguida, ar de santo
Mas cá fora, o teu veneno seca qualquer pranto.
Tratas o empregado como se fosse um degrau
A tua arrogância é o teu hino, o teu ritual
Dizes que Deus é amor, mas o teu peito é deserto
Julgas o mundo inteiro, mas nunca o teu erro perto.
[Refrão] (Voz mais agressiva e ríspida)
Lavas a alma com água que não te limpa a mente
Acreditas no céu, mas és o inferno para a gente!
Onde está a bondade que a tua boca tanto prega?
A tua fé é cega, ou és tu que a alma nega?
És o "amém" no lábio e o desprezo no olhar
De que serve a reza se não sabes respeitar?
[Verso 2]
Citas versículos para justificar o teu ódio
Sentado num pedestal, num falso e triste pódio
Apontas o dedo, condenas quem não te segue
Mas a tua caridade é pouca, o teu ego não cede.
Falas de perdão, mas guardas rancor no bolso
A tua espiritualidade é só um grande esforço
Para pareceres puro num mundo que vês por baixo
Se Deus é humildade, no teu mapa Ele não acho!
[Outro]
(A batida vai desaparecendo, ficando apenas o piano)
A fé sem obras é morta... já ouviste isso?
Então para de olhar para cima e começa a olhar para o lado.
Menos "Glória", mais respeito.
Menos máscara... mais peito.