Cheff,
ela pode até parecer igual às outras aos teus olhos cansados,
cabelo louro comprido a cair como promessa,
esse corpo cuidado, moldado pela disciplina,
ela sabe brilhar —
e tu lidas com ela como quem encara o sol sem proteção.
Mas a minha prima não cabe nessa comparação rasa.
Ela não é molde,
não é espelho,
não é vitrine.
Ela é mais.
Ela é sol quando aquece os dias frios,
quando a esperança quase desiste.
É lua quando se afasta em silêncio,
quando o mundo faz barulho demais.
É estrela quando desaparece,
mas mesmo longe continua a guiar.
Cheff,
ela não vive no teu tempo apressado,
nem no relógio do teu desejo.
Ela caminha num ritmo antigo,
onde tudo tem peso,
onde nada é por acaso.
O sorriso dela não se entrega fácil,
o olhar não pede licença,
o coração não se vende por palavras doces.
Ela sabe quem é,
e por isso não corre atrás de quem não alcança.
Tu tentas tocá-la como quem quer segurar a luz,
mas a luz não se prende.
Quanto mais forças,
mais ela se transforma em distância.
Ela já foi ferida, Cheff,
mas aprendeu a transformar dor em altura.
Caiu,
levantou,
seguiu inteira —
mesmo quando o mundo queria vê-la em pedaços.
Ela não precisa provar nada,
não disputa atenção,
não implora presença.
Quando fica, é verdade.
Quando parte, é definitivo.
Cheff, entende:
ela não é só sol.
Ela é sol, lua e estrela,
é começo, meio e fim,
é tudo no seu próprio tempo.
E quem não sabe esperar,
quem não sabe respeitar o silêncio,
nunca vai merecer o brilho
que nasce antes da luz.