Ummm… ummm… ummm…
O tempo anda devagar,
minha prima vai se casar.
O sino toca sem saber
o que o coração tenta esconder.
Meu amigo com ela vai ficar,
jura que vai mudar,
mas no fundo foge do espelho,
tem medo de se encontrar inteiro.
Ele é covarde quando ama,
foge sempre quando chama.
Faz-se forte na conversa,
mas treme quando a verdade aperta.
Ela é minha querida, minha criança,
olhos cheios de esperança.
Vê jardim onde há deserto,
acredita que o amor é certo.
Ummm… ummm… ummm…
Ela confia de olhos fechados,
ele anda em caminhos cruzados.
Ela entrega o coração nu,
ele esconde o que sentiu.
Ele é malandro da vida dura,
beijo doce, palavra impura.
Aprendeu cedo a não sentir,
pra não sangrar quando cair.
Ela ri como quem cura,
traz no peito luz pura.
Ama sem pedir defesa,
ama com toda a inocência.
Se ele cair, ela levanta,
se ela chorar, ele canta.
Mas será canto de verdade
ou só mais uma vaidade?
Ummm… ummm… ummm…
Quem vai cuidar quando a noite chegar?
Quem vai ficar quando o sonho quebrar?
Nem todo anel segura a dor,
nem todo “sim” é feito de amor.
Minha prima merece paz,
não promessa que se desfaz.
Merece abraço que não engana,
mão firme, não mão malandra.
Se for amor, que ele aprenda,
que vire homem, que se emenda.
Que deixe a rua, deixe o medo,
que ame limpo, ame inteiro.
Ummm… ummm… ummm…
Minha prima vai se casar…
que o destino saiba escutar:
protege quem ama demais,
não deixa a inocência pra trás.