[Verso 1]
Já nem sei se fui ou se fiquei,
Fugi do ruído mas o ruído veio.
Fiz das palmeiras um tecto sem lei,
Mas a mente grita, sem rodeio.
Nessa cabana de madeira,
Onde a alma é prisioneira.
Tentei fugir da vida inteira,
Mas trago o passado à beira.
Cada passo na areia relembra,
Cada noite sem dormir que pesa.
E mesmo no meio do azul,
O escuro senta-se à mesa.
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[Refrão]
Trapical...
Corpo longe, mas a mente cá no local.
Trapical...
Uma ilha não cura o emocional.
Trapical...
Calor por fora, mas por dentro é glacial.
Trapical...
Fiz do paraíso um abrigo terminal.
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[Verso 2]
Tive amores que ficaram na maré,
Nunca voltaram, mas ficaram de pé.
Tipo castelos que o tempo levou,
Mas a base no peito ficou, não ruiu, ficou.
Sento nas rochas, olho o horizonte,
Vejo a cidade num tom distante.
Mesmo sem som, ouço cada canto,
Do bairro, da dor, do riso e pranto.
Não há wi-fi, mas ligo-me à essência,
Falo com Deus na brisa que pensa.
A ilha é linda, mas não me engana,
Ela sabe tudo, e nunca se abana.
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[Verso 3]
Os dias passam sem grande pressa,
Mas o coração nunca se esqueça.
Tenho cicatrizes que ainda brilham,
Mesmo quando o sol já se esquiva.
A escada range como se falasse,
Das vezes que subi pra cair de face.
Mas aqui, eu levanto sem vaidade,
Só com a força que a solidão dá de verdade.
Trapical não é só lugar,
É um estado d’alma a deambular.
Onde o som da alma é trompete,
E cada nota é mais honesta que um set de sete.
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[Refrão]
Trapical...
Corpo longe, mas a mente cá no local.
Trapical...
Uma ilha não cura o emocional.
Trapical...
Calor por fora, mas por dentro é glacial.
Trapical...
Fiz do paraíso um abrigo terminal.
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[Verso Final]
Se me encontrares aqui, não perguntes porquê,
A fuga é silêncio — fugi de mim sem querer.
Mas cada verso que escrevo é como um sinal:
Trapical... não são férias — é final.