Saudades do tempo em que o amor e o respeito
eram raiz profunda da nossa cultura,
verdes que nunca murchavam, luz que não se apagava,
e que em cada coração encontrava morada segura.
Saudades dos dias em que o vizinho era sangue e família,
em que a porta se abria sem receio, sem medo, sem cuidado,
e a amizade não era só palavra dita ao vento,
mas o bem mais precioso, tesouro que guardávamos com zelo e desvelo.
Eram tempos em que a partilha era lei natural,
em que um sorriso valia mais que qualquer riqueza,
e viver entre os nossos, em paz e confiança,
era a maior glória, a mais doce certeza.
Saudades também da meninice solta nos caminhos,
dos risos que enchiam os largos e os quintais,
das brincadeiras que faziam o tempo parar:
o calinguindo, ágil e cheio de arte,
o bica bidom, que nos punha a correr sem fim,
e tantas outras, simples, mas cheias de magia,
que gravámos para sempre na memória e no coração.
Não havia pressa, nem o peso de tantas preocupações,
era só alegria a crescer como erva boa,
e cada momento vivido era uma joia rara,
que hoje, na distância, transforma‑se em poesia e em saudade.
Refrão
Ah, que saudades dos tempos de outrora,
onde o amor e a paz reinavam sem fim!
Da vida simples que fazia a glória,
e dos risos que não saem de mim.
Raiz forte, laço de pura verdade,
é de ti, meu passado, toda a minha saudade.