Cheff, minha prima Bia pisa o chão
E o silêncio aprende outra canção
Não é só forma, não é só olhar
É presença que faz o fraco vacilar
Ela passa e o ar muda de cor
Quem não se aguenta chama isso de amor
Outros chamam desejo, chamam tentação
Mas é só verdade em exposição
Homem perdido, cabeça confusa
Olhar que segue, alma que acusa
Enquanto tu ris, fazes de rei
Nem vês o buraco que cavaste, eu sei
Refrão
Teu dia vem, não corre, não foge
Quem faz chorar paga hoje ou amanhã
O tempo escreve com mão pesada
Toda cobardia tem hora marcada
Tu falas alto, peito estufado
Mas por dentro vives quebrado
Quem pisa muito acaba sozinho
Quem ri da dor perde o caminho
De tanto rir, esqueceste sentir
De tanto jogar, esqueceste cair
Mas a queda vem sem avisar
Quando não houver onde te agarrar
As lágrimas que fizeste cair
Não secam, aprendem a existir
Viraram peso, viraram chão
Debaixo dos teus pés, sem perdão
Refrão
Teu dia vem, escrito no vento
Quem semeia medo colhe tormento
Não há força em humilhar
Todo teatro um dia vai fechar
Eu vou lembrar-te quando a luz apagar
Quando chamares e ninguém voltar
Quando o espelho não quiser mentir
E só restar encarar quem és ali
Não é raiva, é consequência
Não é ódio, é sobrevivência
A vida não esquece a mão que fere
Ela espera… e devolve quando quer
Ponte
Na noite fria, sozinho a tremer
Vais entender o que é perder
Não pessoas, não bens, não chão
Mas a máscara, a ilusão
Aí vais chorar sem plateia
Sem riso falso, sem ideia
E nesse dia vais lembrar
Das vezes que escolheste pisar
Último refrão (mais forte)
Teu fim não grita, ele ensina
Todo cobarde enfrenta a sina
Não há vitória em fazer sangrar
Só quem cai aprende a mudar
Cheff, escuta antes do fim
O mundo não gira só pra ti
Quem vive de ferir pra se provar
Acaba sozinho a implorar