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Despertei sob o peso de céus nublados
As contas em ruínas, os sonhos calados
Apontaram-me como náufrago dos dias
Tal qual Jó, vi caírem as alegrias
Mas da cinza guardei a chama escondida
Indagam-me: "Onde habita o teu Deus?"
Quando a mesa é silêncio e o bolso são breus
Como Jó entre cacos, com a alma em espinhos
Não lanço maldição, semeio caminhos
De vida que brota em solo de espinhos
Ignoram que o deserto é altar de ensino
Que o vale talha o vaso em quebranto fino
Se foram os aplausos, o chão, a direção
Permanece a fé como raiz no coração
Estou provado, mas não no chão
Tua promessa é o pão da minha mão
Mesmo que a noite decrete o não
Eu canto: "Vive o meu Redentor"
Levam-se os bens, fica o louvor
Minha adoração não conhece a dor
Sou Jó de hoje, de pé no clarão
Pois a perda floresce em jardim de unção
A mente em vigília, o tempo é açoite
Espelhos do mundo me dizem "foi tarde"
Sugeriram que eu negasse o Santo Nome
Mas lembro: até o pó se faz ouro se Ele chama o homem
Fui réu por não dobrar os joelhos a Baal
Confessei "amém" no crepúsculo mortal
O mundo exige, as dívidas se elevam
Mas minh'alma repousa nAquele que me leva
Quantas madrugadas como Jó em vigia
Só eu, o silêncio e a Tua companhia
Sem respostas, só Tua essência imensa
E isso me basta, pois Tua ausência é só aparência
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Se Ele dá, Ele pode tomar
Se Ele toma, Ele vem restaurar
Não decifro todo o Teu querer
Mas descanso no Autor que sabe tecer
Estou provado, mas não no chão
Tua promessa é o pão da minha mão
Mesmo que a noite decrete o não
Eu canto: "Vive o meu Redentor"
Levam-se os bens, fica o louvor
Minha adoração não conhece a dor
Sou Jó de hoje, de pé no clarão
Pois a perda floresce em jardim de unção
Jó perdeu para colher além
Eu choro, mas a paz já vem
Então ressoe o som pra alma lembrar:
Quem se humilha no pó, Deus vem levantar
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