Era uma vez… um grupo de amigos.
Nem tudo era perfeito, mas tudo era real.
Os spots mudaram, mas a alma ficou.
Yeah, era eu, o Oluap com os meus
Fins de semana no templo do fumo e da lei
Casa do Celso, sueca na mão
Ganza no ar, copo na outra, sem noção
Vítor na banda, copos na mão
Gajo da música, mas brinde é religião
E o Artur? Quando bebe é tensão
Fez um mata-leão no Celso, sem razão
Bateu numa caixa da EDP,
Disse que amanhava o Luís, sem saber porquê
E o Luís só quer é curtir
Ouves um pimba no bairro? É lá que o vais ver a sorrir
Tantas memórias no spot a arder
Mesa no pinhal, fábrica a estremecer
Agora maduros, mas nunca a esquecer
O que vivemos, ninguém vai entender
Já pensei em pensar nisso — como o Artur dizia
A malta junta, era caos e poesia
Ainda estamos aqui, cada um com a sua via
Mas esse tempo era ouro… pura alquimia
O Tiago saía do turno, e já lá tava eu
A fumar, a ouvir sons, o tempo correu
Fifa ligado, mente desligada
Entre risos e cinza, a vida era sagrada
E o Eurico, sempre em missão
“Vai buscar a ganza”, sem discussão
Era o nosso Uber sem aplicação
Com ele, a sessão tinha sempre combustão
Spot na cave, spot no primeiro
Obra fantasma, mas o som era verdadeiro
Fizemos do nada um mundo inteiro
Quem viu, viu… o resto é só passageiro
Lembras-te da fábrica?
Do barulho a ecoar nas paredes velhas…
Mas os nossos risos abafavam tudo.
A vida andava rápido, mas ali… o tempo parava.
Fala-se muito de crew, mas poucos viveram
O que nós vivemos, quando todos se perderam
Nós montámos tronos com tijolos no chão
Sem trono, sem coroa, só respeito e visão
Na cave da obra, ou no pinhal fechado
Com medo de nada, só do tempo passado
Tínhamos planos, nem todos voaram
Mas nenhum de nós falhou — só se adaptaram
O Celso era o host, casa virava quartel
Dois copos, sueca, um som no papel
Falávamos da vida como se tudo fosse certo
Mesmo com a ganza a toldar o que era perto
E o Luís, o rei do bailarico e do calor
Curtia como se a alma dançasse sem pudor
Arraiais, festas, ninguém dançava assim
Era ele a pôr cor num mundo tão cinzento e ruim
Tantas memórias no spot a arder
Mesa no pinhal, fábrica a estremecer
Agora maduros, mas nunca a esquecer
O que vivemos, ninguém vai entender
Já pensei em pensar nisso — como o Artur dizia
A malta junta, era caos e poesia
Ainda estamos aqui, cada um com a sua via
Mas esse tempo era ouro… pura alquimia
E quando o mundo se calava, a música falava
Mesmo longe da cena, a presença marcava
Copos ao alto, até a lua abanava
Tiago, fiel no silêncio, sempre ali
Mesmo sem dizer, sabia quando eu caí
A semana toda era refúgio e abrigo
Um Fifa, uma ganza, e eu via o mundo contigo
E o Eurico, puto do corre, mas com lealdade