[Verso 1]
Dia vinte e oito de março
No sertão nascia
Andreza
Pequena
Mas já trazia
A força guardada em cada mão vazia
E um sonho enorme dentro do olhar
Roçado chamando bem antes da aurora
O sol abrindo ferida na terra e na pele agora
Mas nem a cansaço
Nem o chão que demora
Fizeram essa mulher voltar atrás
[Pré-Refrão]
Tanta seca
Tão pouca água
Mas a cabeça era cheia de estrada
Enquanto o mundo dizia "não dá"
Ela ia se levantar
[Refrão]
Barriga pegando no espinho
Indo estudar
Com o caderno apertado
Medo de faltar
Nordestina dura na queda
Feita pra lutar
Ninguém vai mandar seus sonhos parar
Barriga pegando no espinho
Ela vai chegar
Entre poeira e calo
Aprende a voar
Quem nasceu no chão rachado sabe se erguer
Andreza nasceu pra vencer
[Verso 2]
Sandália gasta
Poeira até o joelho
Ela seguia firme
Encarando espelho
Vendo no suor um sutil conselho
"Menina
Esse mundo ainda é teu"
Fila da escola
Fome fazendo barulho
Mas a vontade de aprender falava mais alto
Sem orgulho
Se o prato era pouco
O futuro era múltiplo
Ela escrevia o próprio amanhecer
[Pré-Refrão]
Tanta seca
Tão pouca água
Mas a cabeça era cheia de estrada
Enquanto o mundo dizia "não dá"
Ela ia se levantar
[Refrão]
Barriga pegando no espinho
Indo estudar
Com o caderno apertado
Medo de faltar
Nordestina dura na queda
Feita pra lutar
Ninguém vai mandar seus sonhos parar
Barriga pegando no espinho
Ela vai chegar
Entre poeira e calo
Aprende a voar
Quem nasceu no chão rachado sabe se erguer
Andreza nasceu pra vencer
[Ponte]
Quem é que sabe da dor do caminho? (ô, Andreza)
De rachar o dedo e ainda sorrir? (ô, coragem)
Cada letra escrita à luz do lampião
É tijolo firme na construção
[Refrão]
Barriga pegando no espinho
Indo estudar
Com o caderno apertado
Medo de faltar
Nordestina dura na queda
Feita pra lutar
Ninguém vai mandar seus sonhos parar
Barriga pegando no espinho
Ela vai chegar
Entre poeira e calo
Aprende a voar
Quem nasceu no chão rachado sabe se erguer
Andreza nasceu pra vencer
Andreza nasceu pra vencer (hey!)
Andreza nasceu pra vencer