O Céu no Mundo
Verso 1
O céu no mundo não mora só no alto,
desce devagar no passo cansado,
no pão dividido em mesa vazia,
no abraço que chega quando faltava o dia.
É brisa leve em peito ferido,
é voz que acalma quem foi esquecido,
não faz barulho, não pede atenção,
nasce pequeno dentro do coração.
Quando o medo grita mais forte que a fé,
e a noite insiste em dizer que não é,
uma faísca lembra em silêncio profundo:
o céu ainda vive aqui no mundo.
O céu no mundo é amor que resiste,
é luz que fica quando tudo desiste,
não compra poder, não aprende a ferir,
só sabe cair… e voltar a subir.
O céu no mundo é gente de pé,
é quem perdoa sem perder a fé,
é Deus caminhando entre pó e chão,
batendo de leve no teu coração.
O céu no mundo não usa coroa,
anda descalço na rua que ecoa,
chora com quem não tem mais voz,
espera paciente, caminha com nós.
É mãe que ora sem ninguém ver,
é pai que aguenta pra não se perder,
é quem escolhe não se vender,
mesmo quando dói continuar a ser.
Entre sirenes, promessas e dor,
entre o ódio vestido de falso valor,
uma verdade simples e profunda:
o céu se constrói quando alguém muda.
O céu no mundo é amor que resiste,
é luz que fica quando tudo desiste,
não compra poder, não aprende a ferir,
só sabe cair… e voltar a subir.
O céu no mundo é gente de pé,
é quem perdoa sem perder a fé,
é Deus caminhando entre pó e chão,
batendo de leve no teu coração.
Se te empurrarem pra beira do fim,
respira fundo, lembra de ti,
há uma chama que não se apaga,
mesmo quando a esperança sangra.
Não é o grito que vence o mal,
é a verdade simples e real:
amar quando tudo pede vingança
é manter o céu vivo na dança.
O céu no mundo não vai embora,
fica nos passos de quem melhora,
não promete glória, só direção,
um amanhã nascendo na mão.
Enquanto houver quem cuide e quem veja,
quem não feche os olhos à mesma mesa,
o céu não foge, não some, não cai —
ele vive em nós, aqui… agora… Pai.