Carrego o dia inteiro
sem saber onde pousar
há um cansaço antigo
que não me deixa voltar
Não choro porque aprendi
que o choro também cansa
fico quieto, olho o chão
finjo que ainda há esperança
O fado meu não se explica
não pede perdão
é a dor que fica
quando já não há mão
Prometi mais do que pude
fiquei menos do que dei
e o que não tive coragem
foi tudo o que guardei
Há noites que não acabam
mesmo quando nasce o sol
o peito fica vazio
como um copo sem álcool
O fado meu anda comigo
mesmo quando me afasto
é sombra colada ao corpo
é peso que não largo
Se canto, é para aguentar
não é para ser ouvido
há silêncios tão fundos
que só saem no gemido
E se a voz me falhar
no fim deste cantar
não foi morte nem fraqueza
foi o fado a descansar