Olha... se você tivesse apenas uma chance.
Uma oportunidade para mudar o destino dos seus filhos...
Para dar a eles o que o mundo tenta te arrancar todo santo dia.
Você aguentaria o peso? Ou deixaria o cansaço te vencer?
Escuta...
**(Verso 1)**
O despertador toca, são quatro e quarenta da manhã, o corpo clama
A cama tá fria, o teto goteja, a realidade te chama
O sereno da madrugada corta a pele feito gilete
Enquanto ele calça o tênis gasto que o calo derrete
Ele olha pro lado, os filhos dormem sob o cobertor rasgado
O estômago ronca, o café é curto, o pão tá amanhecido, guardado
Mas não há tempo pra queixa, a marmita tá na sacola de plástico
O caminhar até o ponto de ônibus é um trajeto drástico
Rua de terra, sem luz, o esgoto corre a céu aberto
Violência na sombra, ele aperta o passo, mantém o olho aberto
O transporte público chega lotado, o motorista nem quer parar
Mais uma humilhação diária que ele é obrigado a engolir e engolir, sem reclamar
Pendurado na porta, o peito espremido contra o metal
Lembrando que cada gota de suor é pelo futuro, contra esse mal
Ele vê a fumaça do escapamento subir pro céu cinzento
E mentaliza o rosto das crianças pra aguentar o sofrimento.
**(Refrão)**
Você tem que se perder na luta, no corre, na busca do pão
Não pode dar o braço a torcer, não importa a pressão
A periferia te esmaga, mas a mente te mantém de pé
Eles têm o dinheiro, mas nós temos a força e a fé!
Essa chance é única, o dia começou, não pode falhar
A elite tá dormindo enquanto a gente acorda pra trabalhar
É por eles, por nós, até o fim da jornada,
A desigualdade é gigante, mas minha alma não tá quebrada!
**(Verso 2)**
Duas horas de viagem e a paisagem começa a mudar
O asfalto aparece, as árvores começam a brotar
Os prédios espelhados refletem um mundo que não o pertence
Onde o topo ignora a base e o preconceito é intenso
Ele chega no centro, o contraste social bate na mente
Lá, o condomínio fechado tem segurança e água quente
Aqui, o esgoto não entope, a calçada é limpa e perfeita
Lá na quebrada, a falta de estrutura é o que nos deita
Ele limpa o chão deles, carrega o peso que eles não aguentam
Recebe um salário mínimo e olha como eles ostentam
O chefe grita, humilha, olha por cima do ombro com desdém
Como se quem mora na favela não passasse de ninguém
Mas ele engole o orgulho, engole o choro, foca na meta
A caneta na mão do filho dele vai ser a resposta mais certa
Ele não quer que eles passem pelo que ele tá passando agora
Cada humilhação que ele sofre vira combustível lá fora.
**(Refrão)**
Você tem que se perder na luta, no corre,