[Verse 1]
Voltei pela estrada antiga
Pedras soltas, pó no ar
Cada curva traz um rosto
Que o tempo não soube apagar
A velha tasca ainda canta
Cheiro a sopa e a café
Um abraço que se demora
Perguntam se ainda sou de pé
[Chorus]
Regresso à aldeia, coração na mão
Tanta saudade, tanta contradição
Sou de aqui e sou de longe
Filho da terra e do avião
Regresso à aldeia, peito a arder
Quem eu fui e quem eu quero ser
[Verse 2]
As vizinhas à janela
Sabem tudo o que eu vivi
Contam anos pelos cabelos
Que ficaram longe daqui
Na praça o sino repica
Marca horas sem perdão
Eu contei-as noutros mapas
Mas batiam na mesma mão
[Chorus]
Regresso à aldeia, coração na mão
Tanta saudade, tanta confusão
Sou de aqui e sou de longe
Entre o passado e a estação
Regresso à aldeia, volto a aprender
Que às vezes ir é outra forma de querer
[Bridge]
Tenho a mala meio aberta (oh)
Pronto a ir e a ficar
A verdade desta terra
É ferida boa a sangrar
[Chorus]
Regresso à aldeia, coração na mão
Fado antigo numa nova canção
Sou de aqui e sou de longe
Sempre a partir para pertencer
Regresso à aldeia, deixo-me doer
Porque essa dor é o meu viver