Larará, de madrugada...
O café esfriou, mas o peito ainda tá quente.
A gente tenta se entender, mas o relógio não entende a gente.
Olha no meu olho e diz o que você não escreveu
Aquelas entrelinhas do que a gente nunca viveu.
Cê vem com esse papo de que o mundo é pequeno demais
Mas se perde no caminho quando eu te peço um pouco de paz.
Eu não sou de cobrar, cê sabe, eu sou de somar
Mas cansei de ser o porto pra quem não quer navegar.
Minha liberdade tem preço e eu não aceito desconto
Tô escrevendo a minha história, e você é só um ponto.
E se o vento soprar pro lado de cá, eu vou deixar levar
Não me peça pra ficar se você não sabe nem onde quer chegar.
Meu violão é meu escudo, minha rima é minha cura
Eu sou poesia pura, no meio dessa tua loucura.
No meio dessa tua loucura...
Eu mudei a frequência, mudei o meu tom
Aprendi que o silêncio também pode ser um som bom.
Lembrei de quando a gente dividia o fone de ouvido
Hoje eu escuto o meu coração, ele faz mais sentido.
Não vem com "saudade" às três da manhã no meu celular
Eu tô ocupada demais tentando me reencontrar.
O asfalto da cidade ainda tem o nosso cheiro
Mas eu sou o meu próprio prêmio, nunca fui o teu passageiro.
Pisa devagar que o terreno aqui é sagrado
O futuro é logo ali, eu não vivo mais de passado.
O que era nó, virou laço.
O que era aperto, virou espaço.
Eu me refaço em cada acorde, em cada linha que eu traço.
E se o vento soprar pro lado de cá, eu vou deixar levar
Não me peça pra ficar se você não sabe nem onde quer chegar.
Meu violão é meu escudo, minha rima é minha cura
Eu sou poesia pura, no meio dessa tua loucura.
(É o meu cais...)
(Pro teu caos...)
Dessa vez, a rima termina em mim.