[Verso 1 – piano preparado, harpa rachada, voz doce em falsete]
São Paulo sangra em salto alto,
Desfila ego em um asfalto falso.
Beijo gelado, alma embalsamada,
Na Berrini, toda farsa é celebrada.
[Pré-refrão – violoncelo grave, pads densos, voz ácida]
Cada sorriso é um bisturi,
Corta fundo, mas finge "aqui".
Na Faria, vendem salvação
Com veneno em taça de champanhe na mão.
[Refrão – orquestra explodindo, percussão tribal, synths colapsando]
Essa cidade fede a cadáver com gloss,
Finge ternura, mas cospe feroz.
Gays brilhando com alma apagada,
Troféus de carne na noite enlatada.
[Verso 2 – contrabaixo pesado, glitch digital, flauta distorcida, voz doce e sarcástica]
Moema, Vila, Leblon genérico,
Todo gay é CEO de um ego histérico.
Tatuagem de dor, sorriso de Botox,
Na sauna, carência em pacotes detox.
[Ponte – harpa fantasma, piano quebrado, coro sombrio sussurrado]
Eles vendem afeto por clique,
Têm corpos, mas vivem em panique.
Cada perfil: uma lápide viva,
Na Augusta, a alma já não cativa.
[Último refrão – crescendo orquestral, apocalipse sonoro, voz doce em desespero melódico]
São Paulo arde em plumas e aço,
Beijam veneno com traço de laço.
No fim, todo mundo só quer ser rei,
Num reino de pó, onde o amor nunca vem.