[Intro]
Tanto drama, tanto dilema
Vida áspera, rima suprema (hey)
Olho aberto na cena
Que a rua é fria, crua, extrema
[Verse 1]
Cresci a ver promessas podres a cair da televisão
Palavras gordas, bolsos magros, zero solução
Gente a vender a alma por um contrato miserável
Pátria cínica, cinza, clima quase inflamável
Diplomas na gaveta, chefes cheios de poeira
Mandam currículos pro lixo, riso de rato na ribeira
Geração presa num estágio eterno, tudo provisório
Exploram horas, cortam sonhos, chamam a isso “portefólio”
No bairro contam-se notas como migalhas de respeito
Quem tenta ser direito leva o ferro no peito
Migra-se por desespero, aeroporto vira fuga
Saudade pesa tanto que o peito cospe ferrugem
[Chorus]
Dramas e dilemas na cabeça a rodar
Cada esquina um enigma que me quer calar
Eu carrego cicatrizes como medalhas de guerra
Mas não baixo a cabeça, meto verdade na terra
Dramas e dilemas, noite longa a sangrar
Se a esperança se enforca, eu vou no laço cortar
Eles querem ver-me preso à corrente da miséria
Eu respondo com o verso, faca afiada na matéria
[Verse 2]
Político fala fino, língua cheia de verniz
Por trás da gravata brilha o instinto feliz
De ver o povo ajoelhado, contas sempre em atraso
Metem taxa em cada sonho, cada passo é um atraso
Escolas a cair, profs exaustos na maratona
Miúdos confundem futuro com celas na esquadra em zona
A fé vende-se em panfletos, milagres com recibo
Pastores gordos, fiéis secos, palco sujo, brilho níbio
Família a discutir heranças que nem existem
Irmãos viram inimigos, tribunais aplaudem tristes
Amor vira contrato, marca data, marca prazo
Quando acaba sobra raiva, leis, papel, cansaço
[Chorus]
Dramas e dilemas na cabeça a rodar
Cada esquina um enigma que me quer calar
Eu carrego cicatrizes como medalhas de guerra
Mas não baixo a cabeça, meto verdade na terra
Dramas e dilemas, noite longa a sangrar
Se a esperança se enforca, eu vou no laço cortar
Eles querem ver-me preso à corrente da miséria
Eu respondo com o verso, faca afiada na matéria
[Bridge]
Se o mundo é jaula, eu sou dente na grade (yeah)
Roer até quebrar a vaidade
Se a lei protege o ladrão engravatado
Eu faço da minha voz martelo indignado (hey)
[Chorus]
Dramas e dilemas na cabeça a rodar
Cada esquina um enigma que me quer calar
Eu carrego cicatrizes como medalhas de guerra
Mas não baixo a cabeça, meto verdade na terra
Dramas e dilemas, grito bruto na garganta
Enquanto o sistema lucra, a minha rima levanta
Eles querem ver-me preso à corrente da miséria
Eu respondo com o verso, faca afiada na matéria
[Chorus]
Dramas e dilemas na cabeça a rodar
Cada esquina um enigma que me quer calar
Eu carrego cicatrizes como medalhas de guerra
Mas não baixo a cabeça, meto verdade na terra
Dramas e dilemas, grito bruto na garganta
Enquanto o sistema lucra, a minha rima levanta
Eles querem ver-me preso à corrente da miséria
Eu respondo com o verso, faca afiada na matéria