O mar de Salvador guardou o meu primeiro olhar
Ao lado da minha mãe eu sempre soube o meu lugar
Dois caminhos separados antes de eu nascer
E na paz dessa distância eu vi meu mundo crescer
Mas em vinte vinte o medo me chamou pra dor
Tive que deixar meu porto e ir sem calor
Cinco anos numa casa onde o silêncio pesava
E quando a voz se erguia, a tempestade começava.
Eu mudei, cortei os nós que tentavam me prender
Mesmo com as cicatrizes que a memória faz doer
O estresse no peito, o medo do grito no ar
Hoje eu escolho a minha paz, aprendi a me amar
Voltei pro meu lugar, voltei pro meu mar.
Com a empresa perdida, angústia e rancor
A sombra do meu pai alimentava o terror
Minha frieza era a armadura pra me proteger
Um escudo no peito pra conseguir viver
Em vinte e vinte e quatro a esperança sorriu
De volta pra minha mãe, o meu peito se abriu
Mas o fim do ano trouxe a velha ansiedade
Uma viagem marcada, o medo sem piedade.
Ameaças no ar, o ano no limite do fim
A promessa amarga: "Você vai voltar pra mim"
Sem meu celular, isolada na dor
Sem ouvir a voz que me dava amor
Mas passei na matéria, o nó se desfez
Venci as barreiras de mais uma vez
Cortei os laços pesados com o passado
Meu futuro agora é um céu iluminado.
Eu mudei, cortei os nós que tentavam me prender
Mesmo com as cicatrizes que a memória faz doer
O estresse no peito, o medo do grito no ar
Hoje eu escolho a minha paz, aprendi a me amar
Voltei pro meu lugar, voltei pro meu mar.
Nem todas as feridas somem do dia pra noite
Mas o choro que desce não é mais sob açoite
É alívio de quem renasceu com a maré
Firme no meu chão, de cabeça erguida e pé
Com a minha mãe ao lado, num novo alvorecer
Eu sou Lara, sou livre e voltei a viver.