[Intro]
Prédio velho
Porta a ranger
Vida curta
Sonho a arder
Luzes do poste a piscar
Mais um grito no corredor
Vizinhos sabem o que se passa
Mas viram a cara à dor
[Verse]
O sol bate na chapa quente e faz o asfalto suar
Cão morde a sombra
O lixo dança um tango podre no meio do ar
Vento traz a fome
Aqui a sorte é um bicho magro que não quer ladrar
Muro pintado com nomes
Alguns já foram, Não vão voltar
Mãe na janela a chamar-me cedo
Que a rua cedo me quer levar
Crianças correm entre o ferro-velho
Aprendendo cedo o peso do metal
O asfalto gasto serve de espelho
A uma vida que corre sempre mal
[Prechorus]
Janelas tapadas com cartão e fita
Onde o frio entra sem pedir licença
A promessa de ontem hoje é maldita
E a fome é a única presença
[Chorus]
Sirenes cortam o ar de repente
O vento sopra na esquina deserta
Olhares esquivos de toda esta gente
Mantendo sempre uma porta entreaberta
Neste bairro o sol morre apressado
Entre os blocos que o medo ergueu
O fado é grito e o punho fechado
Onde o resto do mundo se perdeu
Neste bairro
[Verse 2]
A vizinha grita que a vida é um soco no dente
Dente por dente
O céu está cinzento mas o sangue corre bem quente
Nada se sente
Polícia passa a correr e a gente finge que é crente
Na esquina vende-se futuro
Em pacotinhos de esquecimento
Miúdo novo com olhos de velho
Conta moedas contra o vento
Lá em cima, Quarto sem espaço
Cinco a dormir no mesmo colchão
Pai cansado, Mãos a tremer
Sal na cara, Vinho na mão
[Prechorus]
Janelas tapadas com cartão e fita
Onde o frio entra sem pedir licença
A promessa de ontem hoje é maldita
E a fome é a única presença
[Chorus]
Sirenes cortam o ar de repente
O vento sopra na esquina deserta
Olhares esquivos de toda esta gente
Mantendo sempre uma porta entreaberta
Neste bairro o sol morre apressado
Entre os blocos que o medo ergueu
O fado é grito e o punho fechado
Onde o resto do mundo se perdeu
Neste bairro
[Bridge]
Vendes a alma por um bocado de pão
Ou ficas no chão
A esperança é um canivete na mão
Sem direção
[Chorus]
Sirenes cortam o ar de repente
O vento sopra na esquina deserta
Olhares esquivos de toda esta gente
Mantendo sempre uma porta entreaberta
Neste bairro o sol morre apressado
Entre os blocos que o medo ergueu
O fado é grito e o punho fechado
Onde o resto do mundo se perdeu
Neste bairro
[[Chorus]
Sirenes cortam o ar de repente
O vento sopra na esquina deserta
Olhares esquivos de toda esta gente
Mantendo sempre uma porta entreaberta
Neste bairro o sol morre apressado
Entre os blocos que o medo ergueu
O fado é grito e o punho fechado
Onde o resto do mundo se perdeu
Neste bairro