Não venha me dizer o que é ter limite,
Com sua régua estreita, seu olhar que aflige.
Pois a minha verdade, que em meu peito habita,
É que eu me amo demais para ser perfeita.
Minhas risadas altas, meu jeito de menina,
O tropeço no passo, a canção que desafina.
Não são falhas, meu caro, nem furos da rotina,
São a vida pulsando, uma fonte cristalina.
Eles buscam um molde, um padrão sem sabor,
Uma estátua de gelo, sem fogo, sem calor.
Mas o que eu ofereço é o prato do meu amor,
Pois a perfeição é uma comida sem sabor.
Eu prefiro a mancha de farinha no avental,
O cabelo bagunçado, o abraço informal.
A receita que invento e que não sai igual,
É a melodia certa, é o meu jeito natural.
Não preciso de espelhos que reflitam o que agrada,
Mas de olhos que vejam a beleza na jornada.
Onde o corpo é meu templo, a canção é cantada,
Pela mulher gigante, por mim, amada.