# **Marília**
**[Verso 1]**
Dizem que meu nome já chegou fazendo barulho
Como se eu tivesse nascido sabendo o caminho
Eu sempre quis segurar o volante
Mesmo quando a estrada não dizia onde ia dar
Fui colecionando pequenas guerras
Por querer ter resposta pra tudo
E cada vez que o mundo me contrariava
Eu aprendia, aos poucos, a perder o controle
Talvez crescer tenha sido isso:
Descobrir que nem tudo obedece
E ainda assim continuar caminhando
Com as mãos abertas para o que acontece
**[Pré-refrão]**
Até que a vida ficou pesada demais
E eu precisei inventar lugares para respirar
Encontrei abrigo em páginas, traços e histórias
E uma fé que me ensinou a ficar
**[Refrão]**
Eu sou uma casa cheia de janelas
Com tempestades passando pelo corredor
Tenho medo de tudo que não posso controlar
E ainda assim me entrego ao amor
Eu sinto demais, eu penso demais
Faço perguntas que ninguém pode responder
Mas se a vida é uma coisa breve
Eu prefiro sentir tudo
Do que passar por ela sem viver
**[Verso 2]**
Houve nomes que eu escrevi para sempre
E o tempo apagou sem pedir licença
Amizades que pareciam eternas
Viraram fotografias dentro da lembrança
Eu era jovem demais para entender
Que algumas despedidas não têm adeus
Que certas ausências mudam a forma
Como a gente enxerga o céu
E quando alguém que fazia parte da minha infância
Virou memória antes que eu estivesse pronta
Alguma coisa em mim ficou mais velha
Naquele instante em que o mundo não parou
**[Pré-refrão]**
Desde então eu olho diferente
Para as coisas pequenas que insistem em ficar
Uma conversa na cozinha
Uma música tocando
Uma tarde que não vai voltar
**[Refrão]**
Eu sou uma casa cheia de janelas
Com tempestades passando pelo corredor
Tenho medo de tudo que não posso controlar
E ainda assim me entrego ao amor
Eu sinto demais, eu penso demais
Faço perguntas que ninguém pode responder
Mas se a vida é uma coisa breve
Eu prefiro sentir tudo
Do que passar por ela sem viver
**[Ponte]**
Ainda sou a garota que quer mandar no destino
Que escreve planos antes de conhecer o caminho
Mas agora eu sei que existem coisas
Que só florescem quando a gente deixa ir
E talvez minha maior contradição
Seja essa vontade de ter certeza
Enquanto alguma parte de mim
Ainda acredita no inesperado
Eu amo a arte porque ela não me pede explicação
Acredito em Deus porque nem tudo precisa de resposta
E amo a vida justamente porque ela me ensinou
Que perder também pode mudar uma pessoa
**[Refrão final]**
Então se um dia me perguntarem
O que eu fiz com tudo que me deram
Eu não quero dizer que tive certeza
Quero dizer que eu senti
Que eu amei mesmo com medo
Que eu criei quando não sabia criar
Que eu chorei quando precisava
E encontrei motivos para continuar
E se não houver prêmio esperando no fim
Nenhuma placa dizendo que valeu a pena
Que pelo menos eu tenha sido inteira
Em cada riso, cada queda, cada cena
Porque talvez essa seja a única coisa
Que ninguém pode tirar de mim:
Eu vivi com o coração aberto
E fui, até o fim,