Deus meu Pai, ainda me lembro
Do ferro já cravado no chão
Ferrugem no tempo, preso na terra
Esperando libertação
O aparelho ficou parado
Quinze dias sem ninguém tocar
O amigo do homem do poder
Deixou ali… a enferrujar
Veio a alma santa, lançou à frente
Pra que todos pudessem ver
Mas quando o ferro se partiu
Quiseram em mim o peso pôr
E suas palavras ecoaram frias:
“Onde se trabalha, se parte, irmão!”
Mas não foi o trabalho que partiu o ferro
Foi o abandono… foi a omissão
Ficaram de cara de pau, Pai
Como se nada fosse verdade
Mas o céu estava olhando tudo
E escreveu justiça na eternidade
Eu só fiz o que precisava
Libertar o que estava preso
Mas quem deixou o tempo matar
Não quis assumir o erro
O amigo calado, o homem do poder
Unidos na mesma versão
Mas minha alma ficou firme
Não deixei entrar veneno no coração
Pai, tu viste o ferro partir
Mas viste também minha intenção
Não era raiva, não era maldade
Era trabalho… era missão
Quem acusa pra se esconder
Carrega medo na própria mão
Mas quem trabalha com verdade
Nunca perde a direção
Onde se trabalha, se parte, sim
Mas não se parte o caráter não
Podem quebrar ferro, máquina, voz
Mas não quebram um coração
Deus meu Pai, tu estavas lá
Quando ficaram de cara de pau
E o céu escreveu no silêncio:
“A verdade sempre vence o mal.”