(Verso 1)
Eu guardo o gosto de te esperar na porta
o relógio perde a voz quando demora
e a cidade inteira passa sem me ver
porque tudo em mim só sabe te querer
Você volta suado, ofegante
com o mundo inteiro preso no semblante
a camiseta molha a pele devagar
e eu me afundo no teu jeito de chegar.
(Pré-refrão)
E quando encosta em mim
o resto perde o nome
como chuva quente
caindo sobre a fome.
(Refrão)
Eu te devolvo ao mundo
mas fico inteira em você
me molho no silêncio
que teu corpo deixa acontecer
Você chega cansado
e eu desaprendo a respirar
porque amar você
é sempre transbordar.
(Verso 2)
Tem noite que teu peito vira abrigo
e o meu corpo aprende a ser caminho
cada gesto teu me acende sem falar
como fogo lento querendo continuar.
Talvez o amor seja isso
porta aberta às três da manhã
um corpo dizendo “fica”
sem precisar pedir amanhã.
(Refrão final)
Eu te devolvo ao mundo
mas volto sempre pra você
feito água procurando
onde pode permanecer
Você chega cansado
e eu deixo tudo se apagar
pra ouvir teu coração
entrando devagar.