Tenho tudo ao meu redor
Mas nada satisfaz
Não adianta ter de tudo
Se eu for correr pro pó
Minha família desacreditou
Vive dizendo isso pra mim
Uma vida que
Se perdeu no meio
E vai pro fim
Eu dizia que era forte
Batia de frente
Fungava paranóia
Fumava até semente
De chinelo calça jeans
Bombeta braca e pose
Só não sabia que lá dentro
Alguém engatilhada a doze
Pulei três metros de portão
Parei pra dar uma bola
Na ceda ou no bombril
Carreira de loco só decola
O chinelo arrebentou
Sujei meu pé de barro
A vagabunda que levei
Roubou até meu carro
Vacilo foi gravíssimo
Na quebrada não se manca fica ligeira vai ser cobrada bala trocada não fere ninguém só Deus na causa amém amém amém
Deixo pra lá acendo um cigarro
Fazendo cinza pra favelado
Quando muleque era saco de cola
Hoje bato na brita em frente a escola
I decola, minha perturbada
Bate a biela
Mais uma pedra e a pacanda foi monstra
Perdi o chão, azucrinei doidão
Meu coração vai sair pela boca, eu tô de toca vida loca para ninguém me reconhecer
Se passar na tevê só lamento
Mas é o que tenho pro momento
Meu tormento marcado
Pelo meu passado
Ouço vozes que vem em minha direção
Dizendo para eu não fazer mas isso não
Corro e jogo as de 15 tudo pela privada
Vida marcada é dura,
Penso e juro duas vezes
Nunca mais fumar da pura na parede
Algumas horas se passa
estou indo buscar novamente lá na praça
A pancada é certeza
Primeiro vem o silêncio na cabeça
Os dedos ficam firmes
Os fantasmas aparecem, brincam com minha cara, me chamam de mala
As vozes me endoidencem
A luzes que antes apagadas
Agora aparecem, piscam mudam de cor,inha cabeça gira como se estivesse afudando,
Vou mudar de plano,
Fumar mais devagar
Mas quando mais diminuo
Mais o bagulho quer me pegar
Como num passe de mágica
O crack dobra de tamanho
Puta que pariu, alguém deve estar me presenteando
Talvez esteja matando
É isso mesmo que você quer, então é isso que vai rolar,
Se quisesse mesmo, já teria vindo me matar,
Mas sei lá, depende deito no sofá
Sinto a porta abrir, um vento pelo chão
Como se alguém vai vir, mas não vejo não,
Uma mão toca na minha lupa, talvez seja um pilantra um filho da puta
Se for espírito pode chegar, porque não tinha nem um corpo vindoe visitar
Já não estou sozinho,
fumo uma para sentir
A risada do menino
Que disse que era só por brincadeira
Que quando entrava em casa
Batia o pé tirava poeira
Para não ofender a banca
Então entra meu moleque sinta-se a vontade
Só não tenho a oferecer no momento a minha santidade
O que você precisa um gole de conhaque
Vou ficar te devendo pois não bebo com covarde
Quero dizer respeito sua caminhada
Só que agora estou feio pra caralho
O meu espírito tá triste e pede pra morrer
Quando me deito e choro sofrimento vem bater
O meu passado eu torço pra esquecer
Ao invés de eu relaxar e sentir a brisa
Só espero o tempo
Acendo o cigarro pra fazer uma cinza
Quatro carteiras de cigarro eu fumei nessa madruga
Tô virado de segunda a segunda, me desculpa tô indo nessa buscar mais uma.