Rangel da minha vida,
Chão de poeira e memórias,
Escuta só a minha voz!
Acordo cedo com o sol a raiar,
Ver o movimento do bairro a acordar.
Pelas ruas e ruelas, o pó a subir,
É no Rangel que eu vi o mundo a abrir.
Do Prenda ao Nelito Soares a cruzar,
Com os velhos na mesa a jogar o dominó,
A gasosa bem fresca para esquentar,
Aqui o respeito vem do tempo dos meus avós.
Ó Rangel, meu Rangel do coração!
És a alma, a raiz da nossa nação.
No bater do batuque, no ritmo do Semba,
Quem nasce no Rangel é rijo, não treme nem verga!
Lembro a rebita nas noites de luar,
As tias no quintal o muamba a preparar.
O som do rádio antigo a tocar dikanza,
No Rangel a gente sofre, mas não perde a esperança.
Os kambas reunidos na esquina da rua,
Histórias de kaxexe sob a luz da lua.
Tem poeira no pé, mas o peito tem glória,
Cada canto desse bairro é uma página de história!
Se me perguntarem de onde eu venho,
Respondo com orgulho e com toda a razão:
O Rangel não é só um lugar onde moro...
O Rangel mora dentro do meu coração!
Ó Rangel, meu Rangel do coração!
És a alma, a raiz da nossa nação.
No bater do batuque, no ritmo do Semba,
Quem nasce no Rangel é rijo, não treme nem verga!
Ai, Rangel...
Terra de gente boa!
Terra de mambo rijo!
Semba no pé, poeira no ar...